Na ilha Terceira - Desperdícios de água e electricidade estudados no pólo universitário
As famílias do concelho de Angra do Heroísmo apresentam os maiores desperdícios de água da ilha. Os dados foram apresentados no Pólo Universitário de Angra do Heroísmo, na defesa de uma tese de mestrado, em Educação Ambiental.


O centro urbano da Praia da Vitória e as periferias dos dois concelhos manifestam menor eficiência de consumo de electricidade.
Tânia Ferreira, autora da tese de mestrado, orientada por Ana Cristina Palos e Emiliana Silva, entrevistou 165 agregados familiares da Terceira para estudar o “usos e desperdícios de água e energia”.

Segundo os dados apresentados, os agregados do centro de Angra do Heroísmo têm a média de consumo de electricidade mais baixa da ilha. Porém, são os segundos maiores consumidores de água e os que emitem, em média, menores quantidades de CO2 para a atmosfera.

As famílias do centro da Praia da Vitória são as que ostentam menor consumo (médio) de água e apresentam as taxas mais elevadas de emissão de dióxido de carbono da ilha. De acordo com os dados divulgados, estes agregados familiares (do centro urbano praiense) são os segundos maiores consumidores de electricidade da Terceira.

A nota do Departamento de Ciências Agrárias afirma ainda que é na periferia da cidade de Angra do Heroísmo, freguesias essencialmente rurais, que se reúnem os agregados com maior consumo de água e electricidade. No entanto, são os segundos menores emissores de CO2 da ilha.

Os dados indicam ainda que é no meio rural (designado no estudo como periferia) da Praia da Vitória que se encontram os agregados familiares com menores consumos de electricidade e água. Curiosamente, são aqueles que mais dióxidos de carbono emitem.

Segundo o Pólo Universitário, “este trabalho permite equacionar um plano de intervenção ambiental de modo a racionalizar o uso da água e da electricidade”.
“Com estes indicadores pode-se elaborar um plano personalizado para ajudar os agregados terceirenses a reduzirem os seus desperdícios” – referiu fonte da Universidade.

Em 2006, a média mensal do consumo de água na ilha por agregado familiar (moda de três elementos por agregado) foi de 15,87 metros cúbicos, com um consumo mensal de electricidade de 295,69 kwh, um consumo de gás butano de 36,68 kg/mês e uma média de emissão de 543,9 kg de dióxido de carbono por mês.

Para esta tese, as famílias estudadas foram estratificados quanto à localidade de residência em centro de Angra do Heroísmo; centro da Praia da Vitória; periferia de Angra do Heroísmo e periferia da Praia da Vitória. “Foi necessário estimar os consumos de referência para avaliar os desperdícios de água e electricidade por agregado familiar” – refere a nota de imprensa da Universidade.

Para os investigadores, nas sociedades actuais, o crescimento acelerado do consumo conduz à pressão sobre os recursos naturais, situação que tem vindo a colocar, progressivamente, o mundo em crise.
Este estudo, dizem, pretendeu focar, a contribuição dos agregados familiares nas situações de risco. “Ou seja, a problemática da escassez de água e as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, que conduzem às alterações climáticas”.

“Nas práticas domésticas quotidianas os indivíduos promovem o desperdício de água quando não a utilizam eficientemente, e emitem CO2 para a atmosfera sempre que utilizam electricidade proveniente de centrais termoeléctricas, como é o caso da Terceira, gás, veículos motorizados e produzem resíduos sólidos” – alertam os investigadores universitários envolvidos nesta tese sobre "Ambiente e Recursos”.

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Fonte: A União
Data: 2007-07-04 10:59:13
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