É difícil competir contra produtos sem qualidade...
Esta semana, o Diário dos Açores entrevistou Luís Pavão, proprietário da empresa Salsiçor. Segundo este responsável e referindo-se à crise económica: "empresas como a Salsiçor, que trabalham no âmbito da qualidade sentem de perto a crise, porque sou obrigado a ter qualquer produto Salsiçor com a nossa marca, com o nosso padrão de qualidade a competir com preços que andam por aí no mercado e que em termos de qualidade não são iguais".
Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Luís Pavão - Nós tínhamos uma salsicharia chamada "Pavão" e tínhamos também um talho que se chamava "Açor". Daí a razão que com o nosso investimento e volume de facturação, surgiu de facto a necessidade de formar uma empresa que se chamava Salsiçor. Pegamos no ´Salsi´ da Salsicharia e ´Çor´ do talho Açor. E assim formou-se a empresa a 6 de Junho de 1979.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
L.P. - Desde aquela altura que fomos sempre evoluindo. É evidente que o modo como produzíamos e os produtos que fazíamos não tem nada a ver com a forma que fazemos agora. Naquela altura, fazíamos tudo o que era tradicional e era feito à mão. Os produtos que fazíamos eram o pé de torresmo, o chouriço mouro, a morcela, os torresmos e os chouriços regionais. Não havia máquinas mas também não havia industrialização de salsicharia fina. A tecnologia que usamos actualmente surgiu com a evolução do mercado, com a procura e com as minhas idas ao estrangeiro que visavam trazer as novidades. Eu posso dizer que em termos tecnológicos, somos uma empresa que embora ´caladinha e sorrateira´, com pouca divulgação em termos de apresentação pública, nós desde sempre fomos pioneiros no que diz respeito a melhores máquinas de salsicharia. A nível nacional, tenho tido aqui empresários do Continente que visitam a fábrica e que ficam maravilhados com esta qualidade toda de produção. Somos um grupo jovem e dinâmico. Nós temos neste momento seis empresas, cinco nos Açores e uma no Canadá. Nos Açores estamos representados em Santa Maria, Terceira, Faial, São Jorge e duas em São Miguel.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
L.P. - O meu sonho era embarcar, por incrível que pareça. Porque eu tenho os meus filhos radicados no Canadá à excepção de uma filha que tenho cá que tem 17 anos e que quer ir. Temos que viver também um pouco a nossa vida e ao longo destes 30 anos de trabalho, tenho me dedicado a 100% à empresa e muito pouco à família. Acho que está na hora de eu começar a pensar na minha família a gastar algum tempo com os meus netos e com os meus filhos. Se aparecer a pessoa certa a Salsiçor vende-se, contudo se não aparecer não se vende, mas provavelmente se aparecer alguém interessado sou capaz de vender. Se não vender sou capaz de dar um passo em frente isto é, reunir todas as empresas numa só em São Miguel para dinamizar um pouco mais a actividade. Mas isto faz-se devagar, porque tudo o que eu tenho hoje em dia, foi fruto do nosso trabalho e, posso dizer que nada nesta fábrica foi construído com ajudas do Governo.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
L.P.- A formação na nossa empresa é pura e simplesmente imprescindível. Anualmente, providenciamos formação aos funcionários nas áreas de vendas, de logística, embalagens, marketing e higiene. Normalmente requisitamos formadores que passam pelas nossas empresas todas e, portanto neste aspecto acho que para ter êxito é necessário haver formação profissional. Eu pessoalmente consegui dois diplomas no World of Ingredients, uma formação que se adquire na Alemanha. Para além da formação, nós investimos muito na segurança alimentar e higiene na nossa fábrica. Temos detectores de falhas aquando do fabrico dos produtos, de modo a detectar qualquer imperfeição, temos uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), utilizamos caldeiras a lenha e todos os equipamentos de vestuário, assim como: luvas, fatos térmicos, batas, toucas, entre outras coisas, tudo esterilizado.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
L.P.- Na minha área, nada! Eu gosto muito daquilo que faço, tudo o que fiz voltaria a fazer na mesma. Confesso que tive um grande problema há cinco anos atrás que foi, de facto uma decepção que apanhei a nível familiar. Tive uma reunião familiar onde questionei os meus filhos que estão radicados no Canadá filhos e disse-os "como é filhos, vocês vêm dar-me apoio em Portugal, ou não?". A resposta foi não: "pai, faz tudo quanto quiser para si e como achar melhor". Portanto, se de alguma forma eu tivesse este apoio, não tinha parado. Porque há sete anos, o grupo Salsiçor parou e esteve num impasse porque caso contrário já tinha dinamizado muito mais. Nesta altura tinha um posto em Cadavais, na zona do Carregado, em Lisboa, em que tinha camiões de distribuição, isto é, estava pronto a dar o passo e o objectivo era mandar carne de vaca para o Continente e importar carne de indústria para São Miguel. Eu fornecia o El Corte Inglês, a Macro com 25 animais por semana e com esta notícia dos meus filhos fiquei desapontado, e portanto estou neste momento sozinho neste negócio, com a minha mulher.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
L.P.- Obviamente que não tenho vertente política, não vou falar do país nem da Região, mas sim internamente na Salsiçor. O mercado não está a permitir que cresça margens, o mercado está competitivo, a malta está descapitalizada, todos estes aspectos que nós cidadãos já sabemos que uma crise implica. A única forma que há e que a Salsiçor começa de alguma forma a fazer, consiste em arrumar a casa. Ou seja, reduzir despesas internamente, custos com luz, água, com embalagens, de forma a tirar maior rentabilidade da empresa. A economia está na poupança e não na venda. Empresas como a Salsiçor, que trabalham no âmbito da qualidade sente de perto a crise e porquê, porque sou obrigado a ter os chouriços ou qualquer produto Salsiçor com a nossa marca, com o nosso padrão de qualidade a competir com preços que andam por aí e que em termos de qualidade não são iguais. Cada vez mais começa-se a registar grandes desigualdades em termos de concorrência desleal. Eu acho que a Salsiçor, assim como todos os empresários que estão inseridos no mesmo sector económico, o que têm a fazer efectivamente é fazer os trabalhos de casa, ver onde é que pode produzir mais por menos custos.
DA- Isto implicaria despedir trabalhadores?
L.P.- Isto seria a última coisa que eu gostaria de fazer. Se a crise está aqui obviamente que também está nas outras empresas, logo se eu os despeço, os meus empregados vão para onde?. É muita responsabilidade a meu cargo, porque se trata de pessoas que precisam de trabalhar.
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
L.P.- É claro que sim. Mas temos que ver que com a indústria de lacticínios e de carne que existe em São Miguel, temos matéria-prima suficiente para produzir e exportar, enquanto que nas empresas de outros sectores ficam numa situação mais caricata. Porque têm de importar a matéria-prima, logo ao importar tem um custo, e ao exportar é outro custo, logo ficam desfavoráveis em termos de exportação.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
L.P.- Eu pessoalmente acredito no turismo. Nós temos que acreditar que temos uma Região única no mundo em termos de paisagens, belezas naturais e em termos de clima, apesar de chover muito. Em termos de turismo de qualidade há de facto muito por explorar nesta área. Eu acho que existe ainda muitas pessoas que não conhecem os Açores, embora seja verdade que o Governo tem feito uma grande aposta na Europa do Norte, mas se virar-se um bocado para a América e Canadá, se bem que a dólar não é favorável neste momento, mas se a economia invertesse seria de facto um grande nicho de mercado a explorar e seria uma mais valia para os Açores.
DA- A certificação dos produtos é uma ambição no seu negócio ou nem por isso?
L.P. -Não e digo porquê. Se a certificação dos produtos fosse uma mais valia, a Salsiçor já a tinha há 20 anos porque faz produtos realmente com destaque. E quando digo destaque, por favor, não quero que interpretam mal, não estou a dizer que são melhores ou que são piores dos que os outros, o que eu quero dizer é que temos produtos únicos que desenvolvemos a partir de sal, que nenhum faz igual. Por isso, como temos esse padrão de qualidade e temos todo o cuidado em fazer sempre igual, os nossos produtos só por si já são uma mais valia, porque não tenho razão de queixa, tenho uma boa quota no mercado, e não é por acaso que vendemos o que vendemos, tendo a dimensão que temos. Aí eu diria que vendemos pela qualidade. Por outro lado, o Governo podia até apostar mais na divulgação dos nossos produtos noutros locais mas é complicado porque isso implica hábitos alimentares. O Continente não tem os nossos hábitos, o nosso produto, como por exemplo, o chouriço, na minha opinião nunca terá sucesso no Continente, porque o nosso chouriço leva um tratamento térmico para acabar e o chouriço do Continente tem um tratamento de cura, ou seja são duas componentes diferentes. Nós elaboramos todo o processo e preparamos a cura por temperatura e no Continente é feito pelo tempo, o que permite uma libertação de humidade, permite a carne desidratar e por isso é que o presunto fica duro e o chouriço comem-no cru, sendo saboroso e, desta maneira o nosso não chega lá derivado ao tratamento que leva.
DA- Porque não fazer dessa maneira na sua empresa?
L.P.- É muito arriscado, vamos competir com um mercado que tem muita qualidade, é como se viesse para cá o abacaxi, que não tem nada a ver com o nosso ananás.
DA- Que análise faz do mercado da carne de vaca em São Miguel?
L.P.- De lavoura percebo pouco e não gosto. Gosto sim dos meus fornecedores e lavradores que me vendem muita carne todas as semanas. A Salsiçor compra muitas toneladas, por conseguinte posso dizer que desde que a Salsiçor explora o quarto de corte e desmancha do matadouro que nunca mais houve excesso de vacas. Temos semanas de usar tantas vacas, tudo para fabricação de hambúrgueres e mensalmente produzimos cerca de 60 toneladas de produtos. Voltando à qualidade, acrescento que a nossa hambúrguer foi reconhecida pela revista Proteste em 2006, como a melhor do país, tendo ganho dois prémios: o primeiro pela composição química, com mais carne e menos ingredientes e ganhou pelo melhor paladar. A Salsiçor foi apanhada de surpresa no mercado no Continente, os técnicos da revista analisaram a composição da carne e respectiva qualidade. Eu não sabia disto, só soube que a minha hambúrguer ia ser publicada na Proteste e perguntaram-se se eu tinha alguma coisa contra, o qual eu respondi logo: não, façam favor de publicar. Portanto, o facto é que estamos seguros com a qualidade que nós produzimos que não temos nada a temer. Fique muito orgulhoso por este reconhecimento.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
L.P.- Gosto muito de pesca e andar de mota. São os meus hobbies, sobretudo agora que o tempo começa a melhorar.

Diário dos Açores- Como surgiu o Grupo?
Luís Pavão - Nós tínhamos uma salsicharia chamada "Pavão" e tínhamos também um talho que se chamava "Açor". Daí a razão que com o nosso investimento e volume de facturação, surgiu de facto a necessidade de formar uma empresa que se chamava Salsiçor. Pegamos no ´Salsi´ da Salsicharia e ´Çor´ do talho Açor. E assim formou-se a empresa a 6 de Junho de 1979.
DA- Como tem decorrido desde então a sua evolução?
L.P. - Desde aquela altura que fomos sempre evoluindo. É evidente que o modo como produzíamos e os produtos que fazíamos não tem nada a ver com a forma que fazemos agora. Naquela altura, fazíamos tudo o que era tradicional e era feito à mão. Os produtos que fazíamos eram o pé de torresmo, o chouriço mouro, a morcela, os torresmos e os chouriços regionais. Não havia máquinas mas também não havia industrialização de salsicharia fina. A tecnologia que usamos actualmente surgiu com a evolução do mercado, com a procura e com as minhas idas ao estrangeiro que visavam trazer as novidades. Eu posso dizer que em termos tecnológicos, somos uma empresa que embora ´caladinha e sorrateira´, com pouca divulgação em termos de apresentação pública, nós desde sempre fomos pioneiros no que diz respeito a melhores máquinas de salsicharia. A nível nacional, tenho tido aqui empresários do Continente que visitam a fábrica e que ficam maravilhados com esta qualidade toda de produção. Somos um grupo jovem e dinâmico. Nós temos neste momento seis empresas, cinco nos Açores e uma no Canadá. Nos Açores estamos representados em Santa Maria, Terceira, Faial, São Jorge e duas em São Miguel.
DA- Tem projectos futuros quanto ao alargamento da empresa?
L.P. - O meu sonho era embarcar, por incrível que pareça. Porque eu tenho os meus filhos radicados no Canadá à excepção de uma filha que tenho cá que tem 17 anos e que quer ir. Temos que viver também um pouco a nossa vida e ao longo destes 30 anos de trabalho, tenho me dedicado a 100% à empresa e muito pouco à família. Acho que está na hora de eu começar a pensar na minha família a gastar algum tempo com os meus netos e com os meus filhos. Se aparecer a pessoa certa a Salsiçor vende-se, contudo se não aparecer não se vende, mas provavelmente se aparecer alguém interessado sou capaz de vender. Se não vender sou capaz de dar um passo em frente isto é, reunir todas as empresas numa só em São Miguel para dinamizar um pouco mais a actividade. Mas isto faz-se devagar, porque tudo o que eu tenho hoje em dia, foi fruto do nosso trabalho e, posso dizer que nada nesta fábrica foi construído com ajudas do Governo.
DA- Segundo o seu ponto de vista, a formação é um passo importante para o sucesso de qualquer investimento?
L.P.- A formação na nossa empresa é pura e simplesmente imprescindível. Anualmente, providenciamos formação aos funcionários nas áreas de vendas, de logística, embalagens, marketing e higiene. Normalmente requisitamos formadores que passam pelas nossas empresas todas e, portanto neste aspecto acho que para ter êxito é necessário haver formação profissional. Eu pessoalmente consegui dois diplomas no World of Ingredients, uma formação que se adquire na Alemanha. Para além da formação, nós investimos muito na segurança alimentar e higiene na nossa fábrica. Temos detectores de falhas aquando do fabrico dos produtos, de modo a detectar qualquer imperfeição, temos uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), utilizamos caldeiras a lenha e todos os equipamentos de vestuário, assim como: luvas, fatos térmicos, batas, toucas, entre outras coisas, tudo esterilizado.
DA- Se recuasse alguns anos no tempo o que não voltaria a fazer em termos empresariais?
L.P.- Na minha área, nada! Eu gosto muito daquilo que faço, tudo o que fiz voltaria a fazer na mesma. Confesso que tive um grande problema há cinco anos atrás que foi, de facto uma decepção que apanhei a nível familiar. Tive uma reunião familiar onde questionei os meus filhos que estão radicados no Canadá filhos e disse-os "como é filhos, vocês vêm dar-me apoio em Portugal, ou não?". A resposta foi não: "pai, faz tudo quanto quiser para si e como achar melhor". Portanto, se de alguma forma eu tivesse este apoio, não tinha parado. Porque há sete anos, o grupo Salsiçor parou e esteve num impasse porque caso contrário já tinha dinamizado muito mais. Nesta altura tinha um posto em Cadavais, na zona do Carregado, em Lisboa, em que tinha camiões de distribuição, isto é, estava pronto a dar o passo e o objectivo era mandar carne de vaca para o Continente e importar carne de indústria para São Miguel. Eu fornecia o El Corte Inglês, a Macro com 25 animais por semana e com esta notícia dos meus filhos fiquei desapontado, e portanto estou neste momento sozinho neste negócio, com a minha mulher.
DA- Que medidas acredita serem necessárias para mudar a situação económica em que se encontra a Região e o País?
L.P.- Obviamente que não tenho vertente política, não vou falar do país nem da Região, mas sim internamente na Salsiçor. O mercado não está a permitir que cresça margens, o mercado está competitivo, a malta está descapitalizada, todos estes aspectos que nós cidadãos já sabemos que uma crise implica. A única forma que há e que a Salsiçor começa de alguma forma a fazer, consiste em arrumar a casa. Ou seja, reduzir despesas internamente, custos com luz, água, com embalagens, de forma a tirar maior rentabilidade da empresa. A economia está na poupança e não na venda. Empresas como a Salsiçor, que trabalham no âmbito da qualidade sente de perto a crise e porquê, porque sou obrigado a ter os chouriços ou qualquer produto Salsiçor com a nossa marca, com o nosso padrão de qualidade a competir com preços que andam por aí e que em termos de qualidade não são iguais. Cada vez mais começa-se a registar grandes desigualdades em termos de concorrência desleal. Eu acho que a Salsiçor, assim como todos os empresários que estão inseridos no mesmo sector económico, o que têm a fazer efectivamente é fazer os trabalhos de casa, ver onde é que pode produzir mais por menos custos.
DA- Isto implicaria despedir trabalhadores?
L.P.- Isto seria a última coisa que eu gostaria de fazer. Se a crise está aqui obviamente que também está nas outras empresas, logo se eu os despeço, os meus empregados vão para onde?. É muita responsabilidade a meu cargo, porque se trata de pessoas que precisam de trabalhar.
DA- «Crise Económica» é uma expressão que o assusta?
L.P.- É claro que sim. Mas temos que ver que com a indústria de lacticínios e de carne que existe em São Miguel, temos matéria-prima suficiente para produzir e exportar, enquanto que nas empresas de outros sectores ficam numa situação mais caricata. Porque têm de importar a matéria-prima, logo ao importar tem um custo, e ao exportar é outro custo, logo ficam desfavoráveis em termos de exportação.
DA- Acredita que o Turismo será uma mais-valia para a economia açoriana?
L.P.- Eu pessoalmente acredito no turismo. Nós temos que acreditar que temos uma Região única no mundo em termos de paisagens, belezas naturais e em termos de clima, apesar de chover muito. Em termos de turismo de qualidade há de facto muito por explorar nesta área. Eu acho que existe ainda muitas pessoas que não conhecem os Açores, embora seja verdade que o Governo tem feito uma grande aposta na Europa do Norte, mas se virar-se um bocado para a América e Canadá, se bem que a dólar não é favorável neste momento, mas se a economia invertesse seria de facto um grande nicho de mercado a explorar e seria uma mais valia para os Açores.
DA- A certificação dos produtos é uma ambição no seu negócio ou nem por isso?
L.P. -Não e digo porquê. Se a certificação dos produtos fosse uma mais valia, a Salsiçor já a tinha há 20 anos porque faz produtos realmente com destaque. E quando digo destaque, por favor, não quero que interpretam mal, não estou a dizer que são melhores ou que são piores dos que os outros, o que eu quero dizer é que temos produtos únicos que desenvolvemos a partir de sal, que nenhum faz igual. Por isso, como temos esse padrão de qualidade e temos todo o cuidado em fazer sempre igual, os nossos produtos só por si já são uma mais valia, porque não tenho razão de queixa, tenho uma boa quota no mercado, e não é por acaso que vendemos o que vendemos, tendo a dimensão que temos. Aí eu diria que vendemos pela qualidade. Por outro lado, o Governo podia até apostar mais na divulgação dos nossos produtos noutros locais mas é complicado porque isso implica hábitos alimentares. O Continente não tem os nossos hábitos, o nosso produto, como por exemplo, o chouriço, na minha opinião nunca terá sucesso no Continente, porque o nosso chouriço leva um tratamento térmico para acabar e o chouriço do Continente tem um tratamento de cura, ou seja são duas componentes diferentes. Nós elaboramos todo o processo e preparamos a cura por temperatura e no Continente é feito pelo tempo, o que permite uma libertação de humidade, permite a carne desidratar e por isso é que o presunto fica duro e o chouriço comem-no cru, sendo saboroso e, desta maneira o nosso não chega lá derivado ao tratamento que leva.
DA- Porque não fazer dessa maneira na sua empresa?
L.P.- É muito arriscado, vamos competir com um mercado que tem muita qualidade, é como se viesse para cá o abacaxi, que não tem nada a ver com o nosso ananás.
DA- Que análise faz do mercado da carne de vaca em São Miguel?
L.P.- De lavoura percebo pouco e não gosto. Gosto sim dos meus fornecedores e lavradores que me vendem muita carne todas as semanas. A Salsiçor compra muitas toneladas, por conseguinte posso dizer que desde que a Salsiçor explora o quarto de corte e desmancha do matadouro que nunca mais houve excesso de vacas. Temos semanas de usar tantas vacas, tudo para fabricação de hambúrgueres e mensalmente produzimos cerca de 60 toneladas de produtos. Voltando à qualidade, acrescento que a nossa hambúrguer foi reconhecida pela revista Proteste em 2006, como a melhor do país, tendo ganho dois prémios: o primeiro pela composição química, com mais carne e menos ingredientes e ganhou pelo melhor paladar. A Salsiçor foi apanhada de surpresa no mercado no Continente, os técnicos da revista analisaram a composição da carne e respectiva qualidade. Eu não sabia disto, só soube que a minha hambúrguer ia ser publicada na Proteste e perguntaram-se se eu tinha alguma coisa contra, o qual eu respondi logo: não, façam favor de publicar. Portanto, o facto é que estamos seguros com a qualidade que nós produzimos que não temos nada a temer. Fique muito orgulhoso por este reconhecimento.
DA- O que mais gosta de fazer nos seus tempos livres?
L.P.- Gosto muito de pesca e andar de mota. São os meus hobbies, sobretudo agora que o tempo começa a melhorar.
+ Informações:
Fonte: Diário dos Açores
Data: 2008-05-19 18:16:12
Visualizações: 85
Data: 2008-05-19 18:16:12
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