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Paris diz ser “injusto” culpar Bruxelas pelo “não” irlandês
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês disse em Paris ser "injusto" atribuir à Comissão Europeia a responsabilidade pela rejeição do Tratado de Lisboa no referendo irlandês e negou que alguma vez Paris tenha culpado Bruxelas.


Bernard Kouchner, que falava a jornalistas antes de a França receber da Eslovénia a presidência semestral rotativa da União Europeia (UE), comentava notícias que têm saído na imprensa internacional a dar conta de alegadas acusações de Paris a Bruxelas pelo desfecho da consulta popular realizada a 12 de Junho na Irlanda.

"Fiquei admirado. Nós nunca atacámos a Comissão Europeia. É injusto dizer que a culpa é de Bruxelas", declarou o chefe da diplomacia francesa.
Kouchner acrescentou que "é muito fácil para um político francês dizer que a culpa é de Bruxelas, mas isso não é verdade".

Desde a vitória do "não" no referendo irlandês, que mergulhou de novo a UE num impasse institucional, vários jornais, citando fontes diplomáticas, indicaram que a França responsabilizava a Comissão Europeia liderada por José Manuel Durão Barroso pelo resultado, acusando Bruxelas de ser responsável pela "desconfiança" dos cidadãos europeus relativamente à Europa.

Durante a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada a 19 e 20 de Junho, em Bruxelas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, questionado sobre o papel do presidente da Comissão Europeia na rejeição do Tratado de Lisboa no referendo realizada uma semana antes, assegurou que sempre considerou Durão Barroso "um excelente presidente".

No entanto, Sarkozy acusou o comissário europeu responsável pelo comércio, o britânico Peter Mandelson, de ter alimentado o "não" irlandês com a sua atitude nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), criticada pelos agricultores irlandeses.

Num debate na semana passada no Parlamento Europeu, Durão Barroso rejeitou que a Comissão Europeia seja usada como "bode expiatório" e, sem mencionar nomes, acusou "alguns políticos" de aproveitarem o "não" irlandês ao Tratado de Lisboa para criticar Bruxelas e prometeu fazer frente a "qualquer tentativa" de fragilização da Comissão Europeia.

"Pôr o problema simplesmente como um problema das instituições europeias é intelectualmente desonesto", afirmou, acrescentando que "acontece muitas vezes, e aconteceu várias vezes na história da integração europeia, que sempre que há um revés alguns políticos nacionais usam-no para tentar reduzir o papel das instituições europeias e enfraquecer o papel da Comissão".

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Fonte: Diário Dos Açores
Data: 2008-07-01 17:02:43
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