Para este Verão, a corretora prevê mesmo um cenário de alarme para os detentores de renda variável, como as acções, derivados da queda da liquidez de alguns mercados periféricos, como o português e as desvalorizações já observadas nos mercados de obrigações.
Para a LJ carregosa, os factos que mais suscitam inquietações aos investidores são «a pressão inflacionista, aumento da taxa de desemprego, redução dos resultados trimestrais das empresas e recuou da despesa e do investimento».
«Actualmente, as instituições de crédito continuam a defrontar-se com dificuldades de liquidez e as obrigações com notação de risco de crédito adequada já pagam 8% a 10%, o que leva a questionar se as «dividend yelds» nos 3% a 5% são interessantes para capitalizar carteiras de poupanças», afirma, analista o da Carregosa, João Queiroz .
No entender deste analista, na procura de uma situação de equilíbrio, predominarão os portfólios com baixa correlação com o mercado de capitais e imobiliário, as carteiras vendidas/curtas (short-selling), a procura de produtos de capital garantido e de retorno absoluto. «Se actualmente, os índices já acumulam uma perda de quase 20% desde Janeiro, uma maior acumulação de perdas não está fora de questão e os baixos PER estimados (entre 10 a 12 vezes, quando a média histórica é de 15 vezes) poderão dominar, pelo menos, os próximos três meses», sustenta a mesma fonte.
Na análise mensal da LJ Carregosa, percebe-se que quem mais vai perder serão os emitentes, accionistas e investidores, sobretudo pelo aumento da incerteza quanto a resultados futuros, reduzindo a capacidade do sistema financeiro em conceder fundos às empresas.
Por isso se estima que a bolsa nacional apresente uma menor atractividade para os aforradores, como fonte para aplicações de poupanças, não aumentando a liquidez nem estimulando a procura de títulos pela procura de fundamentais.
«A queda destes valores tem sobretudo dois impactos: o sentimento e a expectativa dos agentes económicos, atendendo que as bolsas de acções tendem a funcionar como indicadores avançados do ritmo de crescimento e, atendendo aos actuais desequilíbrios, os títulos que reflectem negativamente mais os ciclos económicos, como os dos sectores financeiro, retalho e construção, pelo peso das obras públicas», explica João Queiroz.
Data: 2008-07-02 14:22:24
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