Governo ainda não recebeu proposta para base de treinos dos EUA nas Lajes
O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, disse ontem esperar uma posição de consenso na resolução do conflito que opõe trabalhadores portugueses e o comando norte-americano da Base das Lajes na aplicação do acordo laboral.


"O Ministério da Defesa está a acompanhar esse problema com muita atenção e cuidado, esperando que se encontre uma posição de consenso a contento de ambas as partes porque todos ficam a ganhar", acrescentou.

Nuno Severiano Teixeira falava aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, após as cerimónias evocativas do 56.º Aniversário da Força Aérea Portuguesa que este ano decorreram no arquipélago.

O ministro da Defesa disse ainda que "não chegou ao governo português qualquer proposta formal norte-americana para alargar o âmbito de função e utilização da Base das Lajes", nomeadamente como zona de treino de aeronaves.

"Na reunião da Comissão Bilateral de Acompanhamento do Acordo de Defesa entre Portugal e EUA, estes apresentaram as suas pretensões que estão a ser estudadas tecnicamente as propostas, aguardando-se agora que seja feita nova proposta com maior detalhe", sublinhou.

Nuno Severiano Teixeira deixou na sua intervenção a certeza de que "serão cumpridos os calendários previstos para a modernização dos equipamentos de acordo com a Lei da Programação Militar".

"Proximamente chegarão os aviões C-295 [toda a frota estará entregue até 2012], que vão substituir os actuais Aviocar, a modernização dos F-16 e dos P 3-Orion [em curso]", especificou.

Segundo Nuno Severiano Teixeira, será ainda efectuada a reforma no campo de pessoal para reter os mais especializados [delineada até ao final do ano] e finalmente reformar as estruturas institucionais superiores da Defesa e das Forças Armadas [concluída até ao final de 2008]".

"Serão revistas as leis de Defesa Nacional, da Lei de Base das Forças Armadas e das leis orgânicas do Ministério [da Defesa], do Estado Maior General das Forças Armas e dos seus três ramos [exército, marinha e força aérea], adiantou o ministro.

Nuno Severiano Teixeira reafirmou, por outro lado, que "o contrato de manutenção dos helicópteros EH-101 deverá ser assinado brevemente, logo após a assinatura, ainda esta semana, do contrato de contrapartidas".

Para o ministro, "apesar de todas as mudanças no ambiente geoestratégico internacional a centralidade do arquipélago mantém-se porque é incontornável o seu valor estratégico entre a América e o continente europeu".

Por seu turno o Chefe do Estado-maior da Força Aérea, General Luís Araújo, defendeu "o desbloqueamento da progressão dos quadros intermédios e a promoção do justo equilíbrio entre deveres e recompensas".

"Esta é a solução que considero mais adequada para minimizar os efeitos que um mercado muito agressivo tem vindo a provocar nos quadros mais qualificados da Força Aérea [os pilotos particularmente]", disse o CEMFA.

Respondendo ao CEMFA, Nuno Severiano Teixeira garantiu que vão ser revistas as carreiras do pessoal altamente especializado, nomeadamente pilotos, nas áreas das carreiras, suplementos e remunerações para estancar a sua saída".

"As capacidades dos especialistas são absolutamente fundamentais em qualquer organização e no caso na Força Aérea Portuguesa", precisou o ministro.

O General Luís Araújo lembrou ainda que "o investimento em novos equipamentos, que incorporam tecnologias avançadas, é indissociável da atribuição de orçamentos de funcionamento adequados ao níveis da actividade aérea com elevados critérios de segurança e qualidade".

O 56º. Aniversário da Força Aérea Portuguesa, que tem vindo a ser assinalado com diversas acções em diferentes ilhas do arquipélago açoriano, culminou ontem com uma cerimónia de imposição de condecorações e desfile aéreo.

A Força Aérea Portuguesa realizou no ano passado 21.500 horas de voo das quais se salientam as 700 horas efectuadas pelos três "Falcon 50" que apoiaram a presidência portuguesa da União Europeia com uma taxa de execução de 100%.

Na área do salvamento e evacuações sanitárias foram realizadas 600 missões em 1.250 horas, de que resultou o salvamento de 31 pessoas no espaço marítimo, e foram transportados 395 doentes e 19 órgãos para transplante.

Cerca de 50% das evacuações aéro-médicas foram executadas no arquipélago.

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Fonte: Diário Dos Açores
Data: 2008-07-02 14:34:09
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