PAC acusada de matar milhares de europeus
O Estudo da Organização Mundial da Saúde acusa a Política Agrícola Comum de aumentar a gordura disponível no mercado através de subsídios, contribuindo assim para o aumento das mortes por doença cardíaca coronária ou AVC

A Política Agrícola Comum (PAC), frequentemente culpada de contribuir para a pobreza dos países em vias de desenvolvimento, é agora acusada de provocar a morte de milhares de europeus devido a doenças coronárias ou acidentes vasculares cerebrais.
Mas de que forma é que isso acontece? Através dos incentivos à produção de alimentos que tornam mais disponíveis as gorduras saturadas, como a carne, o leite e a manteiga, refere um estudo elaborado pela Universidade de Liverpool para a Organização Mundial da Saúde.
Olhando para os últimos números disponíveis nos 15 países da União Europeia, antes do alargamento realizado em 2004, o estudo britânico estima que a contribuição anual da PAC é de "9800 mortes por doença coronária e três mil por acidente vascular cerebral, metade das quais acontecem prematuramente".
Além dos cigarros, refere o documento, os maiores factores de risco para as doenças cardiovasculares são o colesterol e a pressão arterial.
"A PAC pode ter-se tornado um risco para a UE ao promover desigualdades na saúde através do tipo de comida consumida. Este pode ser descrito como um sistema desenhado para matar os europeus através de doenças coronárias."
O orçamento anual da PAC, diz o relatório, é de cerca de 45 mil milhões de euros, 16 mil milhões dos quais destinados à indústria leiteira. 500 milhões são para o consumo de manteiga, o que, diz, dá um quilo e meio por cidadão ao ano.
Quando foi criada, nos anos 60, a PAC veio garantir aos agricultores preços justos e o aprovisionamento da Europa, mas os seus críticos, como o Reino Unido e a Suécia, dizem que criou um sistema que mantém os preços artificialmente altos e impede o acesso dos produtos dos países mais pobres à UE.
Os subsídios aos agricultores permitiram que eles produzissem montanhas de carne, leite e manteiga, como lhe chama o relatório, pois quanto mais produziam mais recebiam.
Nos anos 90 havia dificuldade em absorver tudo. Foi então que se iniciou uma reforma - ainda em curso.
Fonte da Comissão Europeia disse ao DN que o estudo feito para a OMS "é orientado pela velha PAC" e que entretanto "se desligaram os subsídios da produção. A PAC é hoje muito mais orientada para o consumidor".
A mesma fonte refere que as ajudas ao consumo de manteiga deixaram de ser pagas em 2007 e que a reforma recentemente proposta pela Comissão sugere a eliminação do instrumento. "Já li vários estudos da FAO [agência da ONU] que dizem que a ausência da PAC tornaria as gorduras saturadas e açúcares ainda mais baratos. Mas também é mau subsidiar gordura.
Há muitos prós e contras sobre a PAC", disse ao DN o coordenador da Plataforma contra a Obesidade da Direcção-Geral da Saúde, João Breda.
"A UE já apoia o azeite, que é gordura natural, bem como os produtos hortofrutícolas", lembrou o responsável português. Contactado pelo DN, João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, disse desconhecer os pormenores do relatório.

A Política Agrícola Comum (PAC), frequentemente culpada de contribuir para a pobreza dos países em vias de desenvolvimento, é agora acusada de provocar a morte de milhares de europeus devido a doenças coronárias ou acidentes vasculares cerebrais.
Mas de que forma é que isso acontece? Através dos incentivos à produção de alimentos que tornam mais disponíveis as gorduras saturadas, como a carne, o leite e a manteiga, refere um estudo elaborado pela Universidade de Liverpool para a Organização Mundial da Saúde.
Olhando para os últimos números disponíveis nos 15 países da União Europeia, antes do alargamento realizado em 2004, o estudo britânico estima que a contribuição anual da PAC é de "9800 mortes por doença coronária e três mil por acidente vascular cerebral, metade das quais acontecem prematuramente".
Além dos cigarros, refere o documento, os maiores factores de risco para as doenças cardiovasculares são o colesterol e a pressão arterial.
"A PAC pode ter-se tornado um risco para a UE ao promover desigualdades na saúde através do tipo de comida consumida. Este pode ser descrito como um sistema desenhado para matar os europeus através de doenças coronárias."
O orçamento anual da PAC, diz o relatório, é de cerca de 45 mil milhões de euros, 16 mil milhões dos quais destinados à indústria leiteira. 500 milhões são para o consumo de manteiga, o que, diz, dá um quilo e meio por cidadão ao ano.
Quando foi criada, nos anos 60, a PAC veio garantir aos agricultores preços justos e o aprovisionamento da Europa, mas os seus críticos, como o Reino Unido e a Suécia, dizem que criou um sistema que mantém os preços artificialmente altos e impede o acesso dos produtos dos países mais pobres à UE.
Os subsídios aos agricultores permitiram que eles produzissem montanhas de carne, leite e manteiga, como lhe chama o relatório, pois quanto mais produziam mais recebiam.
Nos anos 90 havia dificuldade em absorver tudo. Foi então que se iniciou uma reforma - ainda em curso.
Fonte da Comissão Europeia disse ao DN que o estudo feito para a OMS "é orientado pela velha PAC" e que entretanto "se desligaram os subsídios da produção. A PAC é hoje muito mais orientada para o consumidor".
A mesma fonte refere que as ajudas ao consumo de manteiga deixaram de ser pagas em 2007 e que a reforma recentemente proposta pela Comissão sugere a eliminação do instrumento. "Já li vários estudos da FAO [agência da ONU] que dizem que a ausência da PAC tornaria as gorduras saturadas e açúcares ainda mais baratos. Mas também é mau subsidiar gordura.
Há muitos prós e contras sobre a PAC", disse ao DN o coordenador da Plataforma contra a Obesidade da Direcção-Geral da Saúde, João Breda.
"A UE já apoia o azeite, que é gordura natural, bem como os produtos hortofrutícolas", lembrou o responsável português. Contactado pelo DN, João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, disse desconhecer os pormenores do relatório.
+ Informações:
Fonte: diário dos açores
Data: 2008-08-11 11:51:36
Visualizações: 130
Data: 2008-08-11 11:51:36
Visualizações: 130
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