Falta de dinheiro para combustível atrasa voo da SATA entre Brasil e Lisboa
Durante seis horas e meia, 184 passageiros da SATA ficaram retidos no aeroporto de Salvador, no Brasil, alegadamente devido à exigência da Shell de receber o pagamento em dinheiro dos cerca de 43 mil euros de combustível necessários para o regresso e de não aceitar cheque.


Segundo o jornal Expresso, foi através dos altifalantes do aeroporto brasileiro que, duas horas e meia depois de fazerem o check in, os passageiros do voo da SATA que domingo ligou São Salvador/Lisboa, vindo de Porto Seguro, receberam incrédulos a primeira informação da razão do atraso da partida: o depósito da aeronave estava vazio e não havia dinheiro para o encher. “Ouvimos pelo intercomunicador do aeroporto que a SATA não tinha dinheiro para reabastecer e seguiram-se horas de espera sem qualquer tipo de condições”, diz João Dias, um dos passageiros do voo, citado pelo Expresso.

Perante o cenário de desgaste físico e emocional das quase duas centenas de passageiros na sala de embarque - onde estavam vários casais com crianças muito novas - foi a própria tripulação do avião que decidiu distribuir sandes, água, mantas e almofadas, numa tentativa de criar condições mínimas para suportar a espera, acrescenta a referida fonte, acrescentando que só mais tarde, mediante a consternação de muitos dos passageiros, foram dadas duas hipóteses: ficar num hotel em Salvador, ou comprar um bilhete da TAP para viajar para Lisboa.

“Disseram-nos que quem tivesse muita urgência para viajar para Lisboa seria melhor comprar um bilhete da TAP”, conta Antero Campeão, outro passageiro.

Depois da primeira comunicação, os passageiros foram informados pelo aeroporto que a situação estava a tentar ser resolvida com a Shell do Rio de Janeiro. Perante a falta de soluções, os passageiros voltam a ser informados que foi contactada a embaixada portuguesa.

Por volta da 01h00 os passageiros tomam conhecimento de que a situação foi resolvida através da intervenção do Governo, pela acção de um alegado assessor de um ministro português, que seria um dos passageiros do voo, mas que, no entanto, não foi identificado, explica o Expresso.

Já resolvido o problema do abastecimento, o voo é atrasado outra vez, pois uma das hospedeiras teve de receber assistência médica durante o tempo em que o avião esteve a ser reabastecido.

A juntar-se a tudo isto, o comandante vem informar que apesar de a tripulação já estar fora do seu horário legal - previsto no contrato de trabalho com a SATA - aceita fazer o voo para Lisboa.

Esta informação do comandante criou muita apreensão entre alguns passageiros. “Houve um casal com crianças pequenas que preferiu não fazer o voo temendo pela segurança”, recorda Antero Campeão.

No entanto, o co-piloto veio sublinhar junto dos passageiros que os “problemas entre a companhia e a tripulação” se prendiam “com questões laborais”, deixando a garantia: “A segurança do voo não está, nem nunca esteve, em causa”.

De acordo com o Expresso, apesar do problema se ter verificado quando o avião foi buscar passageiros a Salvador, já na descolagem de Porto Seguro se tinham verificado “burocracias com o combustível”.

João Dias partiu de Porto Seguro e conta que os passageiros tiveram de esperar antes de embarcar devido a “burocracias com o combustível”. “Quando nos disseram isso pensámos que fosse um problema com os postos de abastecimento, nunca nos passou pela cabeça que não houvesse dinheiro ou que não aceitassem cheques na Shell”.

A directora de comunicação da SATA, Natalie Blatierre, disse ao Expresso que se tratou de “uma falha de comunicação entre a transportadora aérea e a Shell que não terá recebido uma factura de pagamento da companhia”, garantindo que a empresa vai agora apurar responsabilidades.

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Fonte: Diário dos Açores
Autor: Diário dos Açores
Data: 2008-08-12 10:56:28
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