Um terço da população activa apostou na formação
Um terço da população activa portuguesa participou em, pelo menos, uma actividade de aprendizagem formal ou informal durante 2007, revela o primeiro inquérito à Educação e Formação de Adultos, ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


O inquérito, enquadrado num projecto comunitário coordenado pela gabinete de estatísticas dos 27, o Eurostat, abrangeu a população portuguesa entre os 18 e os 64 anos e contemplou a participação em actividades de educação formal - ministrada em instituições de Educação e conducentes a um nível de escolaridade - e não formal - que decorrem em estruturas institucionais, conferindo um diploma, mas que não conduzem a uma progressão de níveis de escolaridade.

Entre os portugueses que desenvolveram actividades educacionais, a maioria preferiu a Educação não formal, através de aulas privadas ou cursos, cursos de ensino à distância, seminários ou acompanhamento em contexto profissional, que envolveram quase um quarto da população adulta.
O grupo que frequentou algum nível de ensino ou curso com equivalência escolar - Educação formal - foi inferior, representando apenas 12%, segundo os mesmos dados.

Nestes, o INE nota mais elevadas proporções de participação entre os escalões etários mais jovens. "Ao nível da Educação formal, há uma clara distinção entre o grupo etário dos 18 aos 24 anos, que corresponde à idade em que é considerada habitual a frequência da escolaridade, e os restantes grupos de idades", refere.

Nas actividades de Educação não formal, o instituto registou uma distribuição mais equitativa da proporção de participação entre os vários escalões de idade, "ainda que com maior expressão para os indíviduos com idades entre os 25 e os 34 anos".

As regiões de Lisboa, Centro e Algarve são as que apresentam maiores proporções de participantes em aprendizagem ao longo da vida, superiores à média nacional, enquanto Norte e Regiões Autónomas se incluem no grupo com taxas de participação inferiores à média do país.

A participação de desempregados nos níveis de ensino ou cursos com equivalência escolar é superior à dos empregados, enquanto na Educação não formal a proporção é inversa, ou seja, a participação de activos foi de 26,6% e a de inactivos de 10,8%.

Cada um dos 816 mil estudantes de Educação formal despendeu no ano transacto 707 horas e 1.009,3 euros naquele tipo de actividades, números que baixam substancialmente na Educação não formal. Em média, cada um dos indíviduos envolvido em Educação não formal despendeu 93,7 horas e teve um custo médio de 254,2 euros neste tipo de aprendizagem.

A aquisição de competências e conhecimentos úteis para o dia-a-dia e o desenvolvimento de competências numa temática do seu interesse são, essencialmente, as razões que levam os portugueses a participarem em actividades de Educação não formal.

Quase dois terços dos indíviduos que frequentaram aulas privadas fizeram-no com o intuito de realizar melhor o seu trabalho e aumentar as perspectivas de carreira, 48,6% para obter um certificado e 37,2%para aumentar a possibilidade de conseguir um emprego ou mudar de emprego.

Quanto aos que não se envolveram nem quiseram envolver-se em actividades de aprendizagem ao longo da vida, 36,8% consideram a formação desnecessária, tanto a nível profissional como pessoal, enquanto 32,4% referem a falta de tempo devido a responsabilidades familiares.

As respostas ao inquérito apontam igualmente obstáculos que se relacionam com a actividade profissional: 13,5% mencionam a falta de apoio da entidade empregadora e 12,5% referem que a formação colidia com o horário de trabalho.

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Fonte: DA
Data: 2008-11-27 14:33:03
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