Medo de retaliações faz com que trabalhadores não apresentem queixa, diz Inspector Regional do Trabalho
Nos Açores não há registo de denúncias de ´mobbing´. A garantia foi dada pelo Inspector Regional do Trabalho, Rui Pestana.


Contactado pelo Diário dos Açores, o responsável disse que não foram nos últimos anos apresentadas queixas relativas a perseguição, e/ou violência psicológica laboral na Inspecção Regional do Trabalho. Contudo, o inspector acredita que os mesmos proliferem por toda a Região, o que se passa é que os trabalhadores têm receio de apresentar queixa contra a entidade patronal, afirmou Rui Pestana.

"Acredito que haja casos de mobbing nos Açores. Os trabalhadores têm é receio de apresentar queixas com medo depois de retaliações por parte da entidade patronal", confessou o Inspector Regional do Trabalho.

Inclusive, salientou Rui Pestana, o único caso de perseguição psicológica laboral (mobbing) que se recorda remonta há cinco/seis anos quando um funcionário de uma companhia telefónica denunciou o seu caso à Inspecção Regional do Trabalho. Todavia, tempos depois o queixoso acabou por retirar a queixa por ter chegado a acordo com a empresa denunciada, avançou Rui Pestana.

De uma maneira geral, o mobbing continua a ser uma realidade, mas velada na Região e no continente, uma vez que ainda são muitos aqueles que, por medo de represálias, optam pelo silêncio, concluiu o Inspector Regional do Trabalho, Rui Pestana.

´Mobbing´

A palavra para muitos pode ser nova, mas este tipo de violência sempre existiu. O ´mobbing´ é a violência moral ou psíquica no trabalho, como actos, atitudes ou comportamentos de violência moral ou psíquica em situação laboral, repetidos ao longo do tempo de maneira sistemática ou habitual, que levam à degradação das condições de trabalho idóneo, comprometendo a saúde ou o profissionalismo ou ainda a dignidade do trabalho e do trabalhador.

O vocábulo vem do inglês "to mob" e significa "agredir". Segundo os especialistas, na maioria dos casos de ´mobbing´, na origem das situações está o dinheiro: gorjetas, gratificações, trabalhos paralelos etc, que alguns, em virtude da própria posição, exigem e consideram justo pedir. Em algumas ocasiões, mais raro, pode ser também que na origem do ´mobbing´ esteja algum preconceito (por ser gordo, p.ex.). Outras vezes, o mobbing atinge algum empregado "rebelde" quando, por exemplo, o mesmo rejeita trabalhar ao domingo, apelando aos termos do seu contrato de trabalho.

Na verdade, o ´mobbing´ é nada mais do que a vontade do patrão em se libertar de um empregado incómodo através do afastamento/aposentação ou da demissão do mesmo. Ansiedade, insónias, depressão, e em casos mais graves, distúrbios, são essas as consequências apresentadas pelas vítimas do ´mobbing´.

As vítimas de ´mobbing´, face a esse tipo de violência, devem resistir e recolher provas e apresentá-las nos organismos competentes, sem receios, aconselham os inspectores do trabalho

Dos casos que se conhecem, no continente, a taxa de incidência de casos de ´mobbing´ é a mesma (50%) quer no sector privado como público.

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Fonte: DA
Autor: Ana Arruda
Data: 2008-11-28 13:29:00
Visualizações: 79

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